Não vim te ensinar uma teoria.Vim te contar o que eu atravessei.
Esta não é uma página de currículo. É a história de como uma menina pobre chegou ao topo, descobriu que estava vazia e fez o trabalho mais difícil de todos, voltar para si.

A Cabra
Na casa onde eu cresci, no interior de São Paulo, tinha uma cabra. Não tinha cachorro. A cabra dava leite — tinha função. O cachorro só daria amor, e amor, na minha casa, não cabia no orçamento. Foi pobreza de verdade: conta que nunca fechava, shampoo pela primeira vez aos onze anos. E uma menina que cresce ali aprende uma regra que ninguém precisa dizer em voz alta: aqui, você ganha o seu lugar produzindo.
Eu carreguei essa regra por cinquenta anos. Foi ela que me fez vencer e foi ela que quase me custou tudo.

Despertar
Comecei num banco. Fui demitida na licença-maternidade, me vi sem profissão com um bebê no colo, e recomecei como vendedora de curso de inglês. Em um ano e meio eu era diretora de marketing. Passei mais de dez anos dentro de uma escola internacional de educação corporativa, até virar diretora executiva de uma empresa em quarenta e cinco países, logo abaixo do presidente. De fora, era uma história de tirar o chapéu.
Mas eu cheguei ao topo, e o topo não estava lá. Morei nove anos em hotel, tinha motorista, tinha tudo por fora. Toda noite, uma pergunta de três palavras: é só isto? E eu a desligava como quem desliga o despertador. No auge, eu era pobre, na verdade tinha recriado a pobreza da infância.

Ruptura
Naquela travessia nasceram também Yancah e Pietra. Elas chegaram quando eu finalmente começava a habitar a própria vida, e me ensinaram uma motivação nova: não mais produzir para merecer ficar, mas estar. Presente. Inteira.
A segunda virada veio ao presenciar injustiças com pessoas humildes no trabalho. Como num dia em que presenciei um diretor humilhar e demitir um funcionário porque chegou atrasado para a reunião, sendo que o mesmo havia virado a noite trabalhando. Naquele instante, entendi como a falta de identidade, autoestima e autoridade transforma pessoas em reféns da própria vida sem que percebam. Foi ali que deixei de ser executiva para me tornar educadora.
Hoje, aos 57 anos, sou CEO de um grupo de empresas e já caminhei com mais de treze mil pessoas. Aprendi, o que agora reparto: você não nasceu para apenas sobreviver. Você nasceu para ter uma vida abundante em todos os sentidos.
Você nasceu para construir uma vida que faça sentido.
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